Mamãe, hoje se comemora um dia, no qual não poderia deixar de escrever à Senhora..
Eu, com meus amiguinhos, devíamos estar com a Senhora, mas a Senhora me trucidou, me esmagou me assassinou.
Enquanto esperava o alimento, a Senhora me enviou veneno. Meu direito de nascer, maior do que o direito de viver foi suplantado por mãos criminosas.
Não nasci! Mamãe, a Senhora podia perfeitamente me trazer a luz, a vida. Eu tinha um pai rico! Os médicos e a maternidade estavam à disposição e a Senhora me matou.
Eu, tão inocente, fui entregue às mãos estúpidas de um médico que me estrangulou e me jogou nos esgotos da maternidade. Foram tantas Mamãe!
Por que a Senhora me matou? Que foi que eu fiz, Mamãe, para a Senhora me expulsar do teu seio?
Quão triste a minha sorte! Quão grande a minha dor! Aonde meu corpinho veio parar, Mamãe!
Sendo fruto do amor, deveria estar no mais íntimo do coração e não no lugar mais pútrido, mais imundo e mais repugnante da cidade!
Mamãezinha pense nisto! Mostre esta carta a outras mamães, leia-a em todos os meios de comunicação, publique-a em todos os lugares...
Olhe Mamãe, a casa da visinha! Como estão alegres, os pais e seus filhos! Olhe como os sacrifícios são compensados! A Senhora não teve a generosidade de me trazer ao mundo.
Só teve a luxúria e a volúpia de um prazer carnal para me conceber.
Foi tão grande o crime, Mamãe... Eu era tão inocente e tão indefeso! Os meus ouvidos não ouviram a trama do crime... Os meus olhos não viram as mãos assassinas... Meu nariz não sentiu o cheiro do sangue... Meus braços não podiam me defender...
Mamãe, os animais, por mais ferozes que sejam, respeitam os seus filhos, e a Senhora fez isso comigo!
A Senhora se tornou mais feroz do que a fera mais bruta!
Não podia haver outro crime pior...!
Este não é o seu dia.
Hoje é o dia das mães que souberam ser mães. Das mães que se prolongaram nos seus filhos. Só estas podem comemorar o 2° Domingo de Maio.
Mamãe, fica aqui o meu perdão, que a Senhora obterá com muitas lágrimas!
Carta enviada a redação do no Blog, pelo Sr. José Wilson Campelo.



































